GRUPOS ORGANIZADOS DE ADEPTOS CONTINUAM A DIZER “NÃO” AO CARTÃO DO ADEPTO - Edição Jornal
41764
post-template-default,single,single-post,postid-41764,single-format-standard,qode-quick-links-1.0,ajax_fade,page_not_loaded,,hide_top_bar_on_mobile_header,qode-theme-ver-11.0,qode-theme-bridge,wpb-js-composer js-comp-ver-6.0.3,vc_responsive

GRUPOS ORGANIZADOS DE ADEPTOS CONTINUAM A DIZER “NÃO” AO CARTÃO DO ADEPTO

GRUPOS ORGANIZADOS DE ADEPTOS CONTINUAM A DIZER “NÃO” AO CARTÃO DO ADEPTO

A implementação do Cartão do Adepto a partir desta próxima época continua a gerar protestos e muita insatisfação nos grupos de adeptos portugueses.

Desde que foi conhecida a intenção do Governo em avançar com o projeto, que obriga os adeptos a terem um cartão específico com todos os seus dados pessoais, e para assistirem aos jogos de futebol em casa, em zonas destinadas a grupos de adeptos, como também para assistir a jogos fora.

O protesto teve origem na Associação Portuguesa de Defesa do Adepto e desde logo contou com a participação de cerca de duas dezenas de grupos de apoio de todo o país.

A frase de conjunto usada por todos era: “Legislar não é criminalizar. O nosso cartão é o de cidadão.”

Protesto agora praticamente generalizados por todo o país, e, no passado dia 12 de setembro, representantes de vários grupos organizados de adeptos, de vários pontos do país, de clubes das duas ligas profissionais mas também do Campeonato de Portugal e dos distritais de futebol, juntaram-se no fórum “Não ao Cartão do Adepto”.

Num manifesto assinado pelos vários grupos organizados de adeptos presentes, entre os quais a Febre Amarela (Tondela) e Viriatos 1914 (Académico de Viseu), consideram que “esta lei atropela de forma violenta os mais básicos pilares do estado de direito em que, em teoria, vivemos. Liberdade de expressão, liberdade de associação, igualdade, acesso livre ao desporto”.

Entre as conclusões do encontro, salientam:

A)  A impossibilidade  de aquisição deste cartão a menores de 16anos (curiosamente a idade a partir da qual se pode ser chamado a juízo por delitos penais) condena a uma morte lenta e dolorosa a mística do uso de uma faixa, ou o som do rufar de um tambor para as próximas gerações. Nunca, em tempo algum, podemos admitir que seja, mais uma vez conotada de forma negativa a liberdade de expressão de quem escolheu apoiar o seu clube de pé, e de bandeira na mão. Nunca poderemos conceber que nos é vedado entrar de mão dada com os nossos filhos ou irmãos no nosso sector, porque levamos um megafone na mão.

B) O único cartão que deve ser exigido a todos nós é simplesmente o cartão de cidadão. Em momento algum deixamos de ser cidadãos deste suposto Estado de Direito Democrático porque temos um estilo de vida diferente de tantos outros cidadãos, e como tal, não é o uso de um tambor que nos faz ser portador de qualquer outro documento, que além de tudo, é pago dos nossos bolsos. A nós, a quem tantos sacrifícios já faz em prol do seu clube.

É esta a democracia que nos rotula a todos indescriminadamente?

C)  Esta medida pode ainda ser vista como ineficaz e vazia. Não é o cartão que muda a natureza do cidadão. Muito menos o sector onde escolhe apoiar a sua equipa. Ao invés, potencia que os grupos se espalhem pelos estádios, criando maiores riscos e problemas às forças de segurança. É contraproducente.

D)  Ao criar várias zonas para vários adeptos, continuam a estigmatizar e a segmentar os adeptos. Criam-se adeptos de primeira e de segunda. Curiosamente os que nunca falham, os que fazem capas de jornais quando é conveniente e fica bonito… Esses são os adeptos de segunda. Os que através desta lei estão obrigados a uma identificação extraordinária. Rotulados e listados, como se de um perigo público se tratassem.

Esta e outras notícias para ouvir em desenvolvimento na Estação Diária – 96.8 FM ou em www.968.fm